O idealizador do movimento pirata visitará também o Fórum Internacional de Software Livre (Fisl), em Porto Alegre (25 e 28 de julho), onde fará uma palestra sobre as leis de copyright.
O sr. acompanha as discussões sobre o Marco Civil?
Quando li o projeto fiquei muito feliz pelo Brasil não ter seguido as ordens dos EUA. Há coisas muito importantes, como dizer que a conexão é necessária para o exercício da cidadania, e que privacidade é um elemento básico. Em contraste, leis na Europa, sob orientação dos EUA, querem acabar com a ameaça da rede a indústrias obsoletas. Não vai funcionar. Atacar a internet é atacar a cidadania e os direitos civis. Espero que isso não aconteça no Brasil.
Há espaço no Brasil para um partido pirata?
Nunca há espaço para um novo partido. O problema é que o estilo de vida da geração online não é contemplado nas leis. Hoje, os políticos que ditam as regras estão com 60 ou 70 anos. Isso gera um choque de cultura completo com quem cresceu conectado. Lutamos para levar a estrutura de poder horizontal das redes para os políticos. Levaremos a cultura da internet para a política.
As pessoas estão mais conscientes sobre questões do mundo digital hoje?
Vejo o despertar dessa geração online – ela viu que tem muito mais poder do que pensava. Eles não são apenas capazes de lutar contra leis que demonizam e colocam em risco seu estilo de vida, mas também têm o poder de serem eleitos e melhorar as coisas. As vitórias sobre a Sopa e a Pipa (projetos de lei antipirataria dos EUA) podem ser consideradas pontos de ruptura, de quando esta geração se deu conta de quanta influência pode exercer.
Como será sua participação na Campus Party e no Fórum de Software Livre?
No Recife, falarei como todos temos o poder de mudar o mundo para melhor e contarei minha trajetória como ativista apaixonado. No Fisl, pretendo abordar como os direitos autorais estão em desacordo com liberdades civis fundamentais. Não é possível garantir cidadania com o nível das leis de copyright atuais, o monopólio do copyright precisa ser minimizado.
fonte: por Murilo Roncolato, do Link Estadão